sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vai Passar - Caio Fernando Abreu

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.
Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.
Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.
Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:
- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …

Portishead - Roads




A música perfeita para um dia cinza, chuvoso e hostil.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Praticamente inofensiva -Douglas Adams- pg 46 e 47

-O que andou acontecendo por aqui?- perguntou ele.
-Oh, só coisas maravilhosas, senhor, só as coisas mais maravilhosas possíveis. Posso me sentar no seu colo, por favor?
-Não - respondeu Ford, empurrando-o. O robô ficou esfuziante em ser rechaçado daquela maneira e começou a se balançar, tagarelar, enlouquecer. Ford apanhou-o novamente e segurou-o firme em pleno ar, a alguns centímetros do seu rosto. O robô tentou permanecer onde fora colocado, mas não pôde deixar de tremilicar um pouco.
-Mudaram algumas coisas, não é? - sussurrou Ford.
-Ah, sim - guinchou o robozinho -, da melhor e mais fantástica maneira possível; Estou muito satisfeito.
-Como é que era antes, então?
-Um barato.
-Mas você gostou das mudanças? - perguntou Ford.
-Eu gosto de tudo - gemeu o robô. - Especialmente quando você grita assim comigo. Faz de novo, vai, por favor.
-Me conta logo o que aconteceu!
-Ai, obrigado, obrigado.
Ford suspirou.
(...)
-O que aconteceu? - insistiu Ford. - (...) Eu... ah, deixa pra lá - acrescentou, quando o robô começou a se comportar vergonhosamente com uma alegria incontrolável e a se esfregar no seu joelho. - Vou descobrir sozinho.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tom


Tá vendo esse gato da foto?
Não resistiu ao meu amor.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Esta tarde sonhei que namorava um anão que era uma mistura de Johnn Cage (Mortal Kombat) com Bruno Chateaubriand (deve ser assim que se escreve). Além de tudo ele se vestia de Robin, o namorado do Batman. E ele era tão anão que eu conseguia carregá-lo nos ombros como se fosse um saco de batata.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Como criar desconforto em casa, parte 1:

D.P. chega na sala, onde estão meu pai e minha mãe, e pergunta se alguém sabe que horas que cartório abre.
Mãe pára pra pensar, pai continua olhando pra TV e a senhorita desconforto aqui fala em alto e bom som "É QUE A GENTE VAI CASAR".
Mãe me olha assustada, pai engasga e D.P. fica vermelho como um pimentão.
E eu saio rindo deles.
Como sempre.

=D

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Essa noite eu sonhei que estava num presídio que ao mesmo tempo que era presídio, também era escola. Daí não sei que caralho aconteceu naquele lugar que teve tiroteio e eu consegui escapar, mas para não me prenderem de novo, eu tinha que andar bem calma até a saída, e assim o fiz até ver a luz do sol. Notei que o presídio era a escola onde estudei a quarta e quinta série. E sonhei que o guardinha que tomava conta da frente da escola era o mesmo homem que na vida real ficava na portaria do cursinho. Daí eu fui caminhando em direção à porta e o tiozinho "inhaí?" e eu "beleza tio?", nisso alguém gritou "FALA TIOOO" atrás de mim, o que idiotamente me fez correr. Notando que eu estava correndo porque estava fugindo, ele fechou a porta da frente, mas deixou as laterais abertas, e eu corri por lá e dei um pulo fenomenal pra fora da escola, e sai desembestada correndo ladeira abaixo pra fugir do tiozinho.
Acordei com a mesma sensação de quem correu pra caralho, sem nem ter me mexido.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mais uma estrela morreu.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Deve ter algum motivo além da imaginação para eu ter lembrado agora, 00:36 de um sábado, que o menino que eu era apaixonadinha na quarta série tinha pêlos nas orelhas.

Daí que eu fui ver o orkut do dito cujo pra ver se está vivo ainda, se engordou como eu sabia que engordaria, esse tipo de coisa, e me topei com uma foto horrível. Ele tá meio careca, pançudo, com uma monocelha Monteiro Lobato e com o peito tão cabeludo que eu olhei e falei "AI GENTE...". Pensa num carpete. Ai, sei que olhei pra cara dele na foto e pensei "esse cara deve muito feder a chulé".

Enfim.

Tô com sono.