quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Uma breve história da volta por cima de Fernanda Elizabeth Castro Bittencourt Albuquerque.

Depois de ter passado algum tempo sofrendo por ter sido trocada, humilhada, substituida como um absorvente usado e ter passado uma hora completa sentada no cantinho da amargura (esquina da Avenida Paulista com a Augusta, sentido jardins, na frente do Conjunto Nacional) onde devido a este fato não cresce mais grama até hoje (de verdade gente), Fernananda bolou a melhor e mais coerente história de sua volta por cima.
Na história, Bob está casado com a moça por quem Fernananda foi trocada - a inocente não sabia do caso aquele dia e acho que sabe de uma versão bem distorcida da história - e eles moram numa humilde casa em algum litoral por aí. Fernanda chega de taxi - daqueles amarelos - com uma belo casaco de pele de chinchila (NO LITORAL) a bate na porta de madeira meio envelhecida já. Eis que ela adentra casa, uma casa humilde de três cômodos, piso de cimento já vermelho de tanta cera tascolac passada alí. Três crianças de roupas finas e desgatadas no chão. Fernananda tira de sua mala três presentes para as crianças: uma boneca vagabunda que só tem um tufo de cabelo que os fabricantes espalham pela cabeça inteira da boneca para economizar e um carrinho de plástico vagabundo daqueles que o Quico do Chaves tinha, cujos faróis e o motorista são adesivos. Fernananda Elizabeth senta-se à mesa, aquele conjunto de 4 cadeiras Jéssica das casas Bahia, acende seu cigarrão Monte Cristo e fuma numa piteira longa e vermelha, com muito cuidado para não deixar cair cinzas em sua luva até o cotovelo. Suas belas luvas compridas de seda chinesa.
Enquanto Fernananda pitava seu cigarro Monte Cristo (TEM QUE SER MONTE CRISTO), Bob olhava-a atentamente, trajando apenas uma samba-canção azul manchada de cândida, enquanto sua esposa, vestida com vestido de dona Florinda e um lenço nos cabelos, passava um café freco naquele coador de pano de 3 anos e 50000 tipos diferentes de bactérias. Café servido, Fernananda tira de sua mala um presente para o jovem e tão fértil casal: uma caixa de chocolate importado que ela trouxe de suas viagens pela Europa. Então ela começa a falar dos mares de ressaca que ela viu e que lembrava os olhos dele.

"Te mandar cartas dos lugares que eu quero conhecer, te trazer chocolate importado e tomar café com a sua amada, na mesma mesa, café sem dor. Trazer carrinhos pros seus pequenos que ficarão correndo pela casa e te contar das noites em que estive longe, daquele mar de ressaca que me lembrava os teus olhos, de como apesar dos anos passados, você ocupa um espaço enorme dentro de mim."

Aí, passado o momento ternurinha onde eles conversam sobre os anos idos, onde as crianças rolam no chão com seus presentes e ficam avermelhados de tascolac, chega a hora de partir. Fernanda se levanta, passa pela porta de madeira gasta. Misteriosamente seu casaco de pele de chinchila desapareceu e agora ela traja um vestido frente única VERMELHO. Ela passa pela cerquinha branca baixa puxando sua mala de rodinha. De repente, no meio de um caminho para a praia, sua mala também desaparece E agora ela está com seus lindos sapatos Valentino nas mãos e caminha em direção ao mar. Dá aquela última olhada por cima do ombro, saudosa, e continua seu caminho, entrando no mar.

Quando ela desaparece no mar, os créditos sobem.

FIM.

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