sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Foi hoje.

Cheguei, entreguei meu atestado de ontem e minha cartinha de demissão impressa em papel cor de pêssego (tava tão linda que eu quase imprimi uma via pra mim). Resolvi não esperar pela Broaca porque a mãe dela se arrebentou toda saindo da banheira em Paris e agora ela tá lá cuidando da véia e só vai voltar na quarta-feira que vem, o que atrapalharia meus planos. Sei que é mancada rir disso, mas é inevitável. A véia vai pra Europa e se arrebenta toda. Imagina uma véia com todos os quilos do mundo, pelada, brilhando por causa da água e dos óleos de banho, escorregando e caindo com a bundona pro alto e gemendo de dor igual um coiote faminto. A véia voltou 20 dias mais cedo com o lado direito do corpo todo roxo e o braço todo torto e costurado com arame com uns pinos dignos de filme de terror. Eu sei, vou pro inferno, mas eu duvido que você nunca desejou nada de ruim pra ninguém e nunca riu da desgraça alheia.
Enfim, vou ter que cumprir aviso prévio mas não há sensação melhor que aquela em que você pode fazer todo tipo de merda no trabalho e não tem que se preocupar em ser demitida porque você mesma já fez essa parte. Aí quando você sai uma hora e meia mais cedo você pode pensar "que que eles vão fazer? me demitir?" e dar aquela risada jogando a cabeça pra trás que só Paola Bracho conseguia fazer.
Respiro aliviada.
A última vez que fiquei tão aliviada assim foi quando acordei um dia e resolvi que nunca mais pisaria na FFLCH.
Estou ansiosa para as minhas duas semanas de férias (porque aí começa meu curso na Pa-panamericana e meu emprego novo, e aí lascou-se minha liberdade).

Sinto muito que não tenha sido do jeito que eu estava fantasiando, com a Bruaca vermelha feito um chipochi assado, com uma veia latejando na testa, gritando e surtando enquanto eu só jogo a carta na mesa dela com todo um charme e desenvoltura e falo "cala boca, macaca" (com voz de locutor de trailer dos cinemas UCI) enquanto me dirijo pra porta com um instrumental intenso ao fundo. Aí volto pra fazer homologação e olho profundamente nos olhos dela e acabo com a vida dela só com um golpe do olhar. E com a FORTUNA que me pagarem eu simplesmente compro um frigobar pro meu quarto pra ficar tão gorda quanto a véia estrupiada mencionada acima.

Enfim, vou dedicar o resto da minha tarde a fazer nada com muita má vontade que me é característico.

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