sexta-feira, 6 de maio de 2011

Segundo luto em menos de um ano.

Desculpe-me se essas palavras sairem sem sentido nenhum, estou com muito sono e cansaço mental e físico, então provavelmente muita coisa aqui não fará sentido.
Hoje, sexta-feira, seis de maio de 2011, às 00:15, meu avô ~o nonno ~ faleceu. Depois de ficar cerca de dois meses pra mais internado na UTI. A doença que o levou da família foi a cirrose combinada com complicações das diabetes, vesícula e mais um monte de coisa que eu nem sabia que existia.
Ontem, quinta, saí da aula, almocei e fui direto pro hospital fazer uma visita. Eu entrei no quarto dele e já senti um aperto conhecido no peito. Ele me lembrou muito meu padrinho que faleceu ano passado. Eu segurei sua mão e fiquei alguns longos minutos com ele lá. Na minha vida inteira eu nunca tinha feito isso. Eu não sou muito de abraços ou contato físico, bem como todos em minha família. O que acontece é que ele se acalmava quando ele sentia alguém lá com ele. Minha avó entrou no quarto mais tarde e pegou a outra mão dele, e repetia que ele não estava sozinho e que ela não sairia do lado dele.
Pausa.
Acho tão surreal como essas coisas são. Sabe, ficar com uma pessoa apesar de tudo. 55 anos de casados e minha avó continuava o amando muito. Todos os dias que ele passou no hospital lá estava ela ao lado dele.
Fiquei pelo hospital das 15:30 até às 22h. Entrava no quarto, conversava com ele sem saber se ele me ouvia ou entendia, e saia para dar lugar a quem queria vê-lo.
Pausa. Só familiares, e nem todos. Como ele mesmo disse quando estava vivo: 'amigos cadê?". Nenhum presente no seu leito de morte.
Quando eu vim pra casa, cheguei por volta das 23h. fiquei me distraindo na internet. Meia-noite e tanto o celular da minha mãe toca. Se tem uma coisa que me dá agonia é celular de qualquer um dessa casa, menos o meu, tocando depois das 23h. Porém de alguma forma eu já sabia. Veio a notícia. É, ele falecera.

De todas as coisas tristes que eu já vi na vida, uma que com certeza marcou na minha mente hoje foi meu avô já sem vida naquela cama. E nenhuma alma teve a bondade de tirar minha avó de perto, só eu. Ela chorava copiosamente e pedia que ele cumprisse a conversa de levá-la logo para que ela fizesse companhia pra ele.
Eu me ponho no lugar dela. ano passado o filho mais velho foi levado pelo câncer. Nove meses depois, período em que a vida se forma dentro de um útero, a morte se fez presente em sua vida novamente e levou o seu marido de tantos anos. O meu nonno. O meu nonno de cabelinho branquinho, todo gordinho narigudinho.
Sabe, ele lutou pela vida. Dava pra ver em pequenos atos. Ele, por exemplo, nunca foi de comer nada branco com aparência de leite. Ele morria de nojo, mas era um nojo assim absurdo. Não comia iogurte, mingau, nem nada que não fosse meio escuro. Nas últimas semanas ele estava tomando tudo isso sem reclamar pra nada.
essas coisas me deixam extremamente revoltada com quem inventa de querer acabar com a própria vida por qualquer motivinho escroto tipo 'ããhn mimimi mimimi tomei um fora". Gente assim tem mais é que morrer mesmo. Tanta gente lutando dia após dia por mais alguns minutos vivos e essa gentinha de mentalidade de lesma retardada atentando contra si mesmo. Que morram mesmo.
Me exaltei.

Eu não sei lidar direito com essas coisas, definitivamente.

Vou dormir agora, amanhã tem o velório. No mesmo lugar onde foi o do meu tio.
=(

Nonno... ah nonninho.