segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mentirinhas que contamos a nós mesmos e ao mundo - ou como pulamos na carruagem do senso comum

Eu estava tomando banho agora há pouco e pensando rapidamente nos últimos eventos da minha vida e em como tudo virou uma decadente espiral de ódio, amargura e rancor, e aí tentei pensar em qual parte eu comecei a perder o controle das coisas (se algum dia eu o tive), aí o pensamento acabou indo parar naquela parte "mentiras que contamos a nós mesmos e aos outros". Fiz um top 5 dessas mentiras:

1- Eu passei os últimos 09 (nove) anos da minha vida afirmando que eu entendi o filme Laranja Mecânica, falando que achei legal e tudo. A realidade é que eu nunca entendi esse filme, nunca vi graça. Não chega nem no meu top 100 filmes preferidos.

2- Sabe esse amor incondicional que as pessoas tem por bacon? Também fui na onda e comecei a dizer pra todo mundo que nossa, amo bacon. Na real eu acho bacon ok. "Ah lá vai ela dizer que gosta mais de calabresa". Não, também acho calabresa ok. Não sou entusiasta de carne de porco. Curto presunto com queijo, mas não nutro amor nenhum por esse animal. O mesmo fale pra frango. Frango frito, frango assado, frango no geral. Faz mais de um ano que eu não como frango sem ser como recheio de coxinha. Eu acho frango uma carne bem asquerosa. Boa parte disso deve ser por causa do bandejão da USP onde eu almoçava, que servia uns urubus dizendo que eram frango. Eu poderia dizer que pulei na carruagem também na parte de gostar de café, mas nessa parte eu fui eu mesma uma vez na vida e continuei firme preferindo chá ou achocolatados.

3- Nickelback. A internet diz que é a pior banda do universo, que é um desaforo, que isso e que aquilo. Eu comecei a achar também e comecei a ter vergonha de ouvir. O mesmo vale para o Bon Jovi. Na real eu acho que o Nickelback tem algumas músicas muito boas, que me vão fáceis aos ouvidos. E Bon Jovi me anima, me deixa feliz e com vontade de viajar.

4- Eu só parei de usar o Internet Explorer porque a versão nova é muito inconveniente, mas até 2011 eu o usava tranquilamente, gostava e não tinha problema nenhum com o navegador. Na frente dos outros eu só abria o Chrome ou o Firefox e dizia "nossa, o Explorer é maior merda". Não, eu achava o Explorer ok também. Ah sim, o meu outro navegador, em pleno 2008, era o Netscape, mas esse era ruim mesmo e eu só tinha ele por motivos sentimentais.

5- Passei também os últimos 09 anos afirmando que nossa, adoro teatro. Na verdade eu não gosto não. Principalmente de teatro de bairro. Curto só se for uma grande produção com cenário bacana, e se a peça não for aquele mimimi existencial. Mas se eu paro pra pensar sobre o teatro e os atores lá descalços com a sola do pé preta de sujeira e as roupas tudo pobrinhas, eu fico meio constrangida.

Aprendi recentemente uma lição muito valiosa: não tem problema você não gostar de alguma coisa, desde que você não seja um idiota sobre isso.

Pode me julgar agora.