quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Please, don't let it be him..

Estava hoje voltando da faculdade por volta das 23h30. Quando dobrei a esquina e entrei na minha rua, vi no meio da rua três gatos. Sentados observando de perto o terceiro gato estavam um felino branco igual minha gata Camila e um gato preto que já vi dormindo no meu telhado algumas vezes. O terceiro gato estava deitado no chão com os olhos abertos.
Fui chegando perto e vi que o terceiro gato era um clone do meu outro gatinho de estimação, Nico. Mesma pelagem, mesmo olhos azuis. Mesmo tamanho. Enquanto os outros dois gatos saíram correndo, eu abaixei no meio da rua, já com um sentimento estranho, pra ver melhor o que tinha de errado com o gato.
O gato tinha sido atropelado e estava morto. Arrisquei com a voz trêmula chamar o nome do Nico e cutucar a cara dele, o que me revelou muito sangue do lado que estava encostado no asfalto.

O que eu senti eu não sei explicar direito. Eu senti como se minha mente se dividisse em duas partes. Uma se desesperava com a possibilidade do meu melhor amigo felino estar morto aos meus pés. O outro lado racionalizava pensando "existem muitos gatos com esta pelagem, será que é ele mesmo?". 100% de mim não queria acreditar que era o meu Nico, o meu bebê-gato que estava lá morto no meio da rua em plena quarta-feira. Não podia ser. Não pode ser. Não posso perder meu amigo desse jeito.
Meu coração apertou de um jeito que meu peito doeu.

Peguei o gato nos braços pra tirá-lo do meio da rua e levei-o até a calçada da minha casa e chamei por meu pai, que veio rápido ao meu encontro quando questionei, entre lágrimas, se meu Nico estava em casa ou se tinha saído pra rua. Trouxemos o gato pra dentro da garagem pra ver melhor se era meu gatinho. Meu pai foi procurar dentro de casa se Nico estava por lá dormindo e eu fiquei lá com o bichinho morto. Meu lado surtado já com os olhos inchados de tantas lágrimas silenciosas. Meu lado cético e calmo lembrou-se de cada particularidade do Nico e foi checar se era ele mesmo que tinha encontrando o fim na roda de uma porcaria de carro de um filho da puta que não respeita limites de velocidade.

Eu não me lembro de pedir algo com tanta fé com eu pedi pra Deus que não fosse meu gato alí. "Que não seja meu gato, Deus, por favor, que não seja meu Nico".

-Pelagem tigrada na barriga: não bate.
-Casquinha de machucado em uma pata dianteira: não bate.
Leve alívio.
-Pontinha do rabo torta como se tivesse quebrado algum dia: não bate.
Suspiro.
Mas a sensação ruim continuava, porque meu lado desesperado ainda pensava "mas e se?".

Meu pai continuava procurando o gato dentro de casa enquanto eu colocava o cadaverzinho do animal num saco de lixo, por falta de acomodação melhor.

Foi quando eu estava lavando o sangue das minhas mãos que meu pai avistou o Nico vindo sabe-se lá de que buraco da casa.
Poucas vezes na minha vida eu abracei alguém igual eu abracei esse meu gato. Meu amigo está vivo. Ele está vivo, bem, inteiro.

Posso dizer que um pouco da minha fé se restaurou naquele momento.



Nicodemus, mais conhecido como Nico.

Camila, mais conhecida como Bruxa.

2 comentários:

Jade disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai que bom que ta tudo bem com seu gato! Quase morri até o fim do texto! RIP gatinho da rua... :(

Luana disse...

PELAMOREDEOS nao deixa os gatos sairem pra rua!!! Ai que aflicao!!!!

o.O